

Freguesia rica, farta de águas, produz bons cereais e tem bons montados. Tem como orago S. Tiago e, por isso, está nos Caminhos do Jacobeu. Vinham os peregrinos de Ponte de Lima e traçado o mesmo Caminho de Confalonieri (1594), seguiam pela estrada junto à pequena Ermida do Anjo da Guarda, depois, pela margem direita do Rio Labruja, Casa de Sabadão, Igreja de Santa Marinha, Capela de S. João de Gróva, Espinheirós, Vinhó de Cima, Camboa, com a Portelinha (via medieval) e entravam em Romarigães.
Falar hoje de Romarigães é lembrarmos Aquilino Ribeiro e uma das suas obras primas: “A Casa Grande Romarigães”, publicada no fim dos anos cinquenta e quando o Mestre já atingia os seus 70 anos.
Já em 1618 o seu primitivo proprietário o licenciado Gonçalo da Cunha, instituira na Casa Grande, a Capela do Amparo (Nossa Senhora) e respectivo vínculo. A ribeira com trutas, e o grande espigueiro que o fidalgo galego D. Telmo Iraizoz de Montenegro e Valadares, Senhor de Salvaterra y Mos, aumentou a fim de arrecadar “alqueires e alqueires de maçarocas” dizem-nos dos tempos áureos da “Quinta do Amparo”; da fortuna que era a Casa Grande. Velhas lutas entre “corcundas e malhados” que fizeram sair os Senhores do Solar para as terras do Marão, demandas após demandas, querelas e lutas, levaram ao abandono e decadência da velha “Casa”.
Por arrematação judicial passou o Solar para o Par do Reino Conselheiro Miguel Dantas e depois para o seu genro, o Dr. Bernardino Machado.
Por motivo do casamento de Aquilino com Jerónima Dantas Machado, filha do Presidente da República, Bernardino Machado, o escritor entra na posse da Quinta do Amparo, o Velho Solar dos Menezes e Montenegros, após uma renhida disputa de partilhas que Aquilino descreve “herdeiros mais escabriados, texto e absurdos que lobos famintos lançavam uns sobre os outros"
Fonte: Falcão do Minho